Se pudesse eu tocar-te as maos,
Tao suavemente quanto teus cabelos leves
E, envolve-la em sonhos de primavera
Esquecida de veroes e invernos,
E so ter flores azuis e margarinas brancas
A enfeitar-te o colo macio.
Ah amiga feita em hora amarga,
Queria eu chorar todas tuas lagrimas
E sofrer tuas penurias
E em vigilia passar tuas noites escuras
E ao raiar do novo dia
Me encontrar em teus olhos verdes,
Sorvendo a brisa do novo outono.
Ai que sofro nao poder
Vive-la em teu lugar,
Nao posso correr ao teu lado
Sorvendo todas tuas tristezas,
Nao deixando- as a ti,
Senao o poder de rete-las
Ou abandona-las a mim.
Ai que e' amargo nao poder,
Como e triste o nao ser,
Finitude humana, malgrado meu,
Insana e rude;
Arrancar-te-ei do peito, um dia
E entao, olhar-te ei amigo,
E me verei em ti
Chorando-te e sofrendo-te
Para que vivas
E nao morras nunca!
P/ N. Peixoto
Goiania,20/03/1986